• Como ser imparcial quando se escreve sobre um ídolo

     

     

     

     

    Cresci ouvindo histórias de meu pai, jornalista, candango das rotativas que se instalaram em Brasília no início dos anos 60. Ele era repórter dos Diários Associados e viu nascer o atelier de Niemeyer no agreste Planalto Central.

     

     

     

    O tempo mitificou o passado para meu amado pai. Nada foi ou será igual a Brasília nos quatro anos entre a fundação e o golpe. Nenhuma outra cidade do planeta seria tão única e moderna. Cresci, portanto, admirando as curvas do concreto leve, a sensualidade da obra de Niemeyer.

     

     

     

     

     

     

     

     

    Cinquenta e dois anos depois, eis que também me vejo jornalista, com a incumbência de escrever sobre a vida e a obra do homem que elegi meu ídolo. Seria tolice acreditar que faria exercício da imparcialidade que o cargo me exige.

     

     

     

     

     

     

     

     

    A obra começa no Rio de Janeiro, passeia pelos quatro cantos do mundo e regressa ao Rio, estado. Mais precisamente, a Niterói, cuja imagem está definitivamente associada aos traços do doutor Oscar. É uma história que passa pelo M.A.C., o Museu de Arte Contemporânea, e se estende pela orla – hoje rebatizada de Caminho Niemeyer.

     

     

     

     

     

     

     

     

    Deram-me a honra de escrever uma crônica sobre Oscar Niemeyer, traçando os paralelos entre o princípio e o fim, alfa e ômega da criação.

     

     

     

    Às favas com a imparcialidade, esse algo tão intangível quanto o conceito de perfeição. Ainda que me fiasse aos fatos, a genialidade do mestre escorreria sobre o texto, tingindo-o com minha própria impressão.

     

     

     

     

     

     

     

     

    Sou, sim, fã, admirador ou qualquer adjetivo que o valha. Na semana que vem, eu volto a tentar ser um sujeito imparcial.

     

     

     

    Por viniciusdonola
    December 5, 2012 às 9:41 pm

 

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