• A minha, a sua grana, virou farelo no Bumba

     

     

     

    Acabo de assistir às imagens da demolição de prédios construídos para abrigar ex-moradores do Morro do Bumba, em Niterói.

     

     

    Bumba

     

     

    Estive lá há três anos, quando 50 pessoas morreram durante um deslizamento de terra. Terra e lixo. O Bumba era um antigo lixão.

     

     

    morro-do-bumba-niteroi

     

     

    Os prédios destinados às famílias sobreviventes estavam rachados, à beira da queda. Vexatório. Inaceitável. Vejam abaixo:

     

     

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    (foto: Dag Vulpi)

     

     

    Convido meus amigos e colegas a pensar:

     

     

    – Quem projetou a obra?
    – Quem fez a sondagem do terreno?
    – Quem assina o cálculo estrutural?
    – Quem executou o projeto?
    – Quanto foi pago e quem recebeu pelos serviços?

     

     

    Aqueles blocos de concreto que viraram farelo foram comprados com o meu, com o seu dinheiro.

     

     

    Nosso país carece de nomes. Dos nomes dos bons e dos maus brasileiros.

     

     

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    (demais fotos: Folha Online)

     

     

    Por viniciusdonola
    March 23, 2013 s 6:49 pm
  • Como ser imparcial quando se escreve sobre um ídolo

     

     

     

     

    Cresci ouvindo histórias de meu pai, jornalista, candango das rotativas que se instalaram em Brasília no início dos anos 60. Ele era repórter dos Diários Associados e viu nascer o atelier de Niemeyer no agreste Planalto Central.

     

     

     

    O tempo mitificou o passado para meu amado pai. Nada foi ou será igual a Brasília nos quatro anos entre a fundação e o golpe. Nenhuma outra cidade do planeta seria tão única e moderna. Cresci, portanto, admirando as curvas do concreto leve, a sensualidade da obra de Niemeyer.

     

     

     

     

     

     

     

     

    Cinquenta e dois anos depois, eis que também me vejo jornalista, com a incumbência de escrever sobre a vida e a obra do homem que elegi meu ídolo. Seria tolice acreditar que faria exercício da imparcialidade que o cargo me exige.

     

     

     

     

     

     

     

     

    A obra começa no Rio de Janeiro, passeia pelos quatro cantos do mundo e regressa ao Rio, estado. Mais precisamente, a Niterói, cuja imagem está definitivamente associada aos traços do doutor Oscar. É uma história que passa pelo M.A.C., o Museu de Arte Contemporânea, e se estende pela orla – hoje rebatizada de Caminho Niemeyer.

     

     

     

     

     

     

     

     

    Deram-me a honra de escrever uma crônica sobre Oscar Niemeyer, traçando os paralelos entre o princípio e o fim, alfa e ômega da criação.

     

     

     

    Às favas com a imparcialidade, esse algo tão intangível quanto o conceito de perfeição. Ainda que me fiasse aos fatos, a genialidade do mestre escorreria sobre o texto, tingindo-o com minha própria impressão.

     

     

     

     

     

     

     

     

    Sou, sim, fã, admirador ou qualquer adjetivo que o valha. Na semana que vem, eu volto a tentar ser um sujeito imparcial.

     

     

     

    Por viniciusdonola
    December 5, 2012 s 9:41 pm
  • Caos no voo JJ 8083

     

    Homem ataca comissárias da TAM e é contido por outros passageiros

     

     

    Passageiros do voo TAM que partiu de Nova York na manhã desta terça-feira, 28, com destino a São Paulo, viveram um momento de caos a bordo.

     

    Logo após a decolagem, um passageiro brasileiro começou a manifestar sinais e sintomas de surto psicótico. Inicialmente irrequieto no assento, o homem, de cerca de trinta e cinco anos, passou a ter delírios paranóicos. “Você não vai me matar, vai?”, perguntava à comissária.

     

    Pude observar as reações do homem quando fui tomar um café no fundo da aeronave. Ele havia sido remanejado para o último assento do lado esquerdo do avião. Tudo levava a crer que, mais cedo ou mais tarde, tomaria alguma atitude violenta.

     

    Quatro horas antes do pouso, o passageiro atacou duas comissárias do voo, tentando esganá-lás. Ouvi os gritos e corri para a parte traseira do Air Bus. Antes, porém, pedi ajuda para um homem alto, brasileiro, que estava sentado na mesma fileira. Mais tarde, viria saber que ele é médico psiquiatra, experiente em situações semelhantes.

     

    Mantivemos o passageiro na área reservada aos comissários, a chamada galley. O homem ameaçava abrir a porta da aeronave em pleno voo. Barrei o acesso à porta esquerda, enquanto outros passageiros – brasileiros e americanos – protegiam o lado oposto. Éramos dez, ao todo.

     

    O médico psiquiatra conseguiu entrar na pequena área retangular, onde há bandejas de comida, bebida e dois assentos para a tripulação. Desse modo, o homem em surto estava cercado.

     

    Procurei abraçá-lo e acalmá-lo, sem muito resultado. O passageiro pegou copas d’água e baldes de gelo e atirou na nossa direção. Também tentou nos afastar dando cotoveladas e empurrões. Temia que ele chegasse à porta ou ao corredor, espalhando ainda mais o pânico entre idosos, mulheres e crianças. Cerca de 150 pessoas estavam a bordo do JJ 8083.

     

    O impasse já durava cerca de trinta minutos quando as comissárias nos alertaram: é proibida a permanência de mais de seis pessoas naquele local. Em caso de despressurização, não há máscaras de oxigênio para todos.

     

    Eu estava estudando a melhor forma de imobilizar o passageiro, já me posicionando nas costas dele, quando o homem, de punhos cerrados, mudou bruscamente de lugar. Ele suava, falava frases desconexas e, acuado, pedia para ninguém o matar.

     

    Hora de agir. Outro passageiro, empresário paulista e faixa azul de jiu jitsu, agarrou o pescoço do homem e o jogo no chão. Com um força descomunal, o paciente se debatia, enquanto agarrávamos os braços e as pernas. Foram necessários sete homens para contê-lo, sem, naturalmente, o uso de violência maior.

     

    Com material fornecido pela tripulação, o paciente foi definitivamente imobilizado e, mais tarde, medicado. Ninguém se feriu.

     

    O comandante do Air Bus achou por bem seguir viagem e descartar a hipótese de pouso em alguma pista do Norte ou Nordeste.

     

    Já sob o efeito de tranquilizante intramuscular, o homem foi levado de volta ao assento, embora com braços e pernas amarrados e o peito e a cintura atados à poltrona.

     

    Pelo sistema de som, uma comissária agradeceu pela ajuda. Uma das que foram atacadas permaneceria com as mãos trêmulas até a hora do pouso.

     

    Apesar de a situação estar sob controle, todos a bordo não viam a hora de pousar em Guarulhos. Ainda faltavam três, três horas de voo.

     

    Jamais havia testemunhado um surto psicótico com delírios paranóicos dentro de um avião. Espero que tenha sido o último.

     

    Não filmei nem fotografei o ocorrido, pois estava focado em conter o passageiro, da maneira que julgasse necessária. Ainda que estivesse com as mãos livres, não iria expor o paciente, mais do que já havia sido exposto durante o episódio.

     

    Pousamos em Cumbica às oito e quinze da noite, onde homens da Polícia Federal já esperavam pelo JJ 8083. Havia ainda uma ambulância na pista.

     

    Diria que minha volta ao Brasil foi “com emoção”.

     

     

    Por viniciusdonola
    August 28, 2012 s 11:50 pm
  • A caminho de casa

     

     

     

    Os carregadores de celular se multiplicaram por conta própria. Fones de ouvidos também. Fios e cabos emaranhados formam um novelo de nós.

     

     

    Dos armários, saem as botas e os casados de neve. Talvez, eu não os vista no Brasil.

     

     

    Dois anos juntando coisas e lembranças na América…

     

     

    Nesse tempo, vi, da janela da sala, crescerem as novas torres do World Trade Center. Cobri a morte do homem o que as derrubou.

     

     

    Conheci Nova York e outros vinte estados americanos. Para a Califórnia, fui nove vezes. De lá, trouxe boas matérias e grandes amigos.

     

     

    Fiz ainda reportagens nas Bahamas, Canadá, México, e, enfim, um ciclo se fechou nas Olimpíadas, em Londres, como inicialmente previsto.

     

     

    Dentro de alguma das caixas que agora me cercam, guardo a experiência de anos profundamente intensos. Ela será útil nos desafios que agora virão.

     

     

    Saio de Gotham, que – estou certo – não sairá de dentro de mim.

     

     

    Portas em automático. Próxima parada, o Brasil da Copa e de 2016.

     

     

    Por viniciusdonola
    August 27, 2012 s 12:27 pm
  • A França é logo ali

     

     

    Pegamos o trem em Londres às 8:57 da manhã com destino a Lille, cidade francesa onde a seleção feminina de basquete do Brasil fez os últimos três jogos antes do embarque para a capital inglesa.

     

     

     

     

     

     

    Chegamos uma hora e meia depois à quarta maior cidade da França.

     

     

     

     

     

     

    Não havia muito tempo para conhecer a cidade. Demos apenas para um giro rápido pelo centro, próximo à estação.

     

     

     

     

     

     

    Catedral de Notre Dame de la Treille.

     

     

     

     

     

     

    A seleção embarcou para Londres às 14:34, onde joga amistoso na quarta e estreia no sábado.

     

     

     

    Bom… deu, pelo menos, para dizer: – Eu estive em Lille.

     

     

     

    Por viniciusdonola
    July 23, 2012 s 4:58 pm
  • A tocha olímpica chega a Londres

     

     

     

    Todo mundo a postos para o grande momento do dia 20 de julho. A tocha olímpica chega a Londres às 8:12 da noite. 8:12, conforme dito no release.

     

     

     

     

     

     

    A tocha virou lamparina, que foi devidamente guardada no sofre real. Mais precisamente, no interior da London Tower, construída em 1078. Parte da imprensa não pôde entrar. Parte pôde, e – Thanks, God! – nós tivemos acesso à cerimônia no interior do castelo.

     

     

     

    Voltamos a tempo de botar a reportagem no ar, pois o fuso colabora com os telejornais da noite. Estamos quatro horas à frente do horário de Brasília.

     

     

     

    No verão semi-frio da capital inglesa, o céu azul anda dando o ar da graça.

     

     

     

     

     

     

    Por viniciusdonola
    July 21, 2012 s 3:13 pm
  • Meu querido diário olímpico

     

    Primeiro dia: ir para o IBC, o quartel-general das emissoras de televisão, e validar a credencial.

     

     

    Validar o cartão que dá acesso ao transporte público.

     

     

    Pegar o lap top, modem, telefone local e uniforme.

     

     

     

     

     

    O trajeto do hotel para o IBC pode ser feito de ônibus ou metrô. Custa, porém, descobrir as melhores opções no emaranhado de rotas. Ainda não peguei a manha.

     

     

    O zigue-zague de ônibus vale como city tour.

     

     

     

     

     

     

    Londres tem ruas estreitas, sinais em abundância e motoristas rabujentos. Os taxistas ameaçam parar a cidade no dia 27, quando ocorre a cerimônia de abertura.

     

     

     

    Levitra

    Por viniciusdonola
    July 19, 2012 s 7:34 pm
  • A estupidez genocida na rede

     

     

    Os limites para a imbecilidade humana são como recordes olímpicos. Estão aí para serem quebrados. E recordistas imbecis, infelizmente, temos aos montes.

     

     

    O mais novo atentado contra a sensatez aconteceu numa rodovia canadense. Com uma micro-câmera presa ao corpo, um cidadão suicida atingiu 299,34 km/h a bordo de sua moto. Sim, quase 300 km/h.

     

     

    Assista ao vídeo e tenha a sensação de que a realidade parece um mero vídeo game. O piloto faz zigue-zague entre carros e caminhões, brincando com a própria vida – pela qual mostra não ter apreço algum.

     

     

    Seria, sim, um ato suicida, se a criatura estivesse sozinha numa pista deserta. Não foi o caso.

     

     

    http://www.youtube.com/watch?v=8AYC7Vwrdp8

     

     

    cheap Accupril

    Por viniciusdonola
    July 14, 2012 s 11:48 pm
  • Sorria, você está de Nike!

     

     

     

     

    Como adiantei aqui neste blog no dia 10 de janeiro, com o faro e apuração do brilhante colega Marcelo Valença, a Nike tirou a OlympiKus da jogada e fechou com o Comitê Olímpico Brasileiro. Apesar de o COB desmentir a notícia num primeiro momento, boas fontes confirmaram a parceira e demos o furo, há seis meses.

     

     

    Em evento realizado ontem no MAM, o Brasil, enfim, apresentou suas armas. Com o logo da Nike, naturalmente.

     

     

     

    (foto: Jadson Marques/R 7)

     

     

    A Nike já vestia as seleções de futebol e basquete e nomes do atletismo, como Fabiana Murer, apontada pela Associated Press como candidata ao pódio em Londres.

     

     

     

     

     

     

    Algumas confederações já haviam fechado patrocínio com outras marcas. Poderão vestir as roupas do concorrente durante treinos e jogos. Mas, se pintar medalha, vão de Nike para o pódio.

     

     

    Valeu, pois, beber das boas fontes.

     

     

     

     

    Por viniciusdonola
    July 13, 2012 s 7:44 am
  • Pra você que ainda acha que sabe editar e dirigir

     

     

    Ken Block, um baita piloto de rali americano, está de volta. Ele acaba de postar (9 de julho) mais um belíssimo vídeo, gravado nas ruas de São Francisco. Quase um milhão de acessos em apenas um dia. Repito: quase um milhão.

     

     
    Se você acha que sabe dirigir (vídeos e carros) ou pensa que sabe editar, por gentileza, assista e reveja seus conceitos.

     

     

    O vídeo também traz a volta de Travis Pastrana, o intrépido motoqueiro voador, que se recuperou de – mais um – grave acidente.

     

     

    Reparem o uso da Go Pro e os créditos finais. O roteiro e a montagem são do próprio piloto. Uma aula.

     

     

     

     

    Por viniciusdonola
    July 9, 2012 s 9:10 pm
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