Tag Archives: Nova York

    • Caos no voo JJ 8083

       

      Homem ataca comissárias da TAM e é contido por outros passageiros

       

       

      Passageiros do voo TAM que partiu de Nova York na manhã desta terça-feira, 28, com destino a São Paulo, viveram um momento de caos a bordo.

       

      Logo após a decolagem, um passageiro brasileiro começou a manifestar sinais e sintomas de surto psicótico. Inicialmente irrequieto no assento, o homem, de cerca de trinta e cinco anos, passou a ter delírios paranóicos. “Você não vai me matar, vai?”, perguntava à comissária.

       

      Pude observar as reações do homem quando fui tomar um café no fundo da aeronave. Ele havia sido remanejado para o último assento do lado esquerdo do avião. Tudo levava a crer que, mais cedo ou mais tarde, tomaria alguma atitude violenta.

       

      Quatro horas antes do pouso, o passageiro atacou duas comissárias do voo, tentando esganá-lás. Ouvi os gritos e corri para a parte traseira do Air Bus. Antes, porém, pedi ajuda para um homem alto, brasileiro, que estava sentado na mesma fileira. Mais tarde, viria saber que ele é médico psiquiatra, experiente em situações semelhantes.

       

      Mantivemos o passageiro na área reservada aos comissários, a chamada galley. O homem ameaçava abrir a porta da aeronave em pleno voo. Barrei o acesso à porta esquerda, enquanto outros passageiros – brasileiros e americanos – protegiam o lado oposto. Éramos dez, ao todo.

       

      O médico psiquiatra conseguiu entrar na pequena área retangular, onde há bandejas de comida, bebida e dois assentos para a tripulação. Desse modo, o homem em surto estava cercado.

       

      Procurei abraçá-lo e acalmá-lo, sem muito resultado. O passageiro pegou copas d’água e baldes de gelo e atirou na nossa direção. Também tentou nos afastar dando cotoveladas e empurrões. Temia que ele chegasse à porta ou ao corredor, espalhando ainda mais o pânico entre idosos, mulheres e crianças. Cerca de 150 pessoas estavam a bordo do JJ 8083.

       

      O impasse já durava cerca de trinta minutos quando as comissárias nos alertaram: é proibida a permanência de mais de seis pessoas naquele local. Em caso de despressurização, não há máscaras de oxigênio para todos.

       

      Eu estava estudando a melhor forma de imobilizar o passageiro, já me posicionando nas costas dele, quando o homem, de punhos cerrados, mudou bruscamente de lugar. Ele suava, falava frases desconexas e, acuado, pedia para ninguém o matar.

       

      Hora de agir. Outro passageiro, empresário paulista e faixa azul de jiu jitsu, agarrou o pescoço do homem e o jogo no chão. Com um força descomunal, o paciente se debatia, enquanto agarrávamos os braços e as pernas. Foram necessários sete homens para contê-lo, sem, naturalmente, o uso de violência maior.

       

      Com material fornecido pela tripulação, o paciente foi definitivamente imobilizado e, mais tarde, medicado. Ninguém se feriu.

       

      O comandante do Air Bus achou por bem seguir viagem e descartar a hipótese de pouso em alguma pista do Norte ou Nordeste.

       

      Já sob o efeito de tranquilizante intramuscular, o homem foi levado de volta ao assento, embora com braços e pernas amarrados e o peito e a cintura atados à poltrona.

       

      Pelo sistema de som, uma comissária agradeceu pela ajuda. Uma das que foram atacadas permaneceria com as mãos trêmulas até a hora do pouso.

       

      Apesar de a situação estar sob controle, todos a bordo não viam a hora de pousar em Guarulhos. Ainda faltavam três, três horas de voo.

       

      Jamais havia testemunhado um surto psicótico com delírios paranóicos dentro de um avião. Espero que tenha sido o último.

       

      Não filmei nem fotografei o ocorrido, pois estava focado em conter o passageiro, da maneira que julgasse necessária. Ainda que estivesse com as mãos livres, não iria expor o paciente, mais do que já havia sido exposto durante o episódio.

       

      Pousamos em Cumbica às oito e quinze da noite, onde homens da Polícia Federal já esperavam pelo JJ 8083. Havia ainda uma ambulância na pista.

       

      Diria que minha volta ao Brasil foi “com emoção”.

       

       

      Por viniciusdonola
      August 28, 2012 às 11:50 pm
    • O tempo voa como a Fumaça

       

      O texto abaixo foi escrito no dia da exibição da minha reportagem de estreia como correspondente em Nova York. Coincidentemente, amigos mui caros passavam pela cidade. Digo, passavam “sobre” a cidade. Nas fotos do genial Ricardo Beccari.

       

       

      Chegando a Nova Iorque. Com a Esquadrilha da Fumaça

      Escrevo este post de uma sala da base aérea de Portsmouth, em New Hamphire, nordeste dos Estados Unidos. Acabamos de viver uma experiência única e me sinto no dever de dividir com você, caro leitor.

      Decolamos a bordo de um avião C-130, o Hércules da FAB, acompanhando oito aviões Tucanos da Esquadrilha da Fumaça. Depois de uma série de apresentações no Canadá e uma demonstração em Altantic City, Nova Jersey, a Fumaça tem compromissos por esses lados. A caminho daqui, porém, estava o melhor da história.

       

       

      Tivemos autorização para sobrevoarmos o controlado espaço aéreo de Nova Iorque, a pouco mais de quinhentos metros de altitude, seguindo o rio Hudson e passando sobre as conhecidas pontes que ligam Manhattan ao continente. Também no trajeto, um pequeno ponto esverdeado quase passou despercebido: a Estátua da Liberdade, no sul da ilha.

      Gravamos as imagens que relato no post de um “mirante” privilegiado: a rampa traseira do Hércules, que foi aberta em vôo para facilitar a captação das imagens. O tempo estava claro, ventava pouco, e pudemos enxergar Manhattan inteira, de norte a sul, durante os cinco minutos de sobrevoo.

       

       

      Sinto-me profundamente honrado pela experiência vivida, sobretudo, no momento em que faço minha estreia a partir de nosso escritório, em Nova Iorque.

      Apertem os cintos. O voo na beira da rampa do C-130 é hoje, no Jornal da Record.

      Agosto de 2010

       

      Por viniciusdonola
      August 11, 2010 às 12:55 am

 

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